Para além da "lágrima fácil" padeço de outro mal, ao qual vou chamar de "fácil paixão", para não ser "paixão fácil"! Sofrem deste mal pessoas que após uma experiência intensa, e algo mais inexplicável, inspiram, expiram e se apaixonam. Não tenhais medo da palavra "paixão", acima de tudo é um estado de alma. Pode ser fugaz, intensa, arrebatadora, cruel ou uma aliada quando não queremos complicar as coisas. Há quem tenha descrito uma escala graduada para os diferentes tipos de sentimentos, onde a paixão é sempre uma coisa terrível e avassaladora, que precede o amor ou a desilusão. Para mim, é um hino ao ego, é algo que nos torna caçadores, é o que nos faz andar e perseguir. A vida estagna quando não estamos apaixonados, tudo é amorfo, nada brilha. Não há que fugir da paixão, pelo contrário, devemos pôr, procurar e imprimir paixão em tudo o que fazemos. Mesmo coisas que à primeira vista não nos dizem nada, há que torná-las apaixonantes. E eu hoje estou nessa "mood", tornar coisas e pessoas apaixonantes, ser, eu própria, apaixonante para mim mesma e para ti.
Ao mesmo tempo que acho que a paixão é impulsiva, tento geri-la, dosea-la e prevê-la. Contra-censo...? Mas tem funcionado! Antes de nos apaixonarmos, podemos sempre perguntar "será que nos podemos apaixonar?" E apenas um apaixonado descuidado não faz esta pergunta e não vê se ainda "vai a tempo de se apaixonar". O "timing" da paixão tem muito que se lhe diga, exige dedicação e meditação.
É bom estar apaixonada , seja pela vida, por um sorriso, um olhar, um toque, um beijo, um perfume, por um momento, uma música, um gelado, um sabor, uma côr, uma camisola, uma rua, uma estrela, uma planta, um caminho, um dia, uma noite, um segundo...
À noite, a paixão está acordada e alastra sobre a pele, dá arrepios. Podes pensar que é psicológico, o frio que sentes e negas... Ou acreditas que precisas de algo que te aqueça e deixas a paixão alastrar e consumir-te, esfriar-te até aos ossos pois, sabes onde está a tua chama. Não é um jogo, é demasiado sério para arriscar perder. É um privilégio para aqueles que sabem alimentar o viver em proximidade. Poucos, astutos, sabem tirar partido da paixão e reparti-la, saboreá-la, vivência-la, partilhá-la... Essa é a grande chave da questão. Porque nem tudo se partilha, ou porque não se sabe partilhar, não se quer ou há simplesmente paixões impartilháveis. "Guilty pleasures"... Isso daria outro monólogo... Hoje fico-me pela paixão "non-gilty" e pelos prazeres apaixonantes de um momento que a memória não esconde.