segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Postal

Mais um fim de semana que terminou... Nova semana de trabalho para abstrair a mente do vazio...


Tou sem paciência para o blog, não tenho tempo ou vontade de sequer ligar o computador e consequentemente, tudo fica em segundo ou terceiro plano...


Deixo-vos a imagem do meu fim de semana. Há algum tempo que andava para ir ao Cristo Rei, só para apreciar a vista sobre Lisboa. E fui! Era fim da tarde, o sol despedia-se e, soprava um vento frio que gelaria qualquer um, que não estivesse já gelado por dentro. Fiquei um bom bocado, até anoitecer, como um iceberg que se vai deixando descongelar. O ritmo citadino não abrandou, centenas de carros seguiam o seu caminho para Norte/Sul, se ao menos eu soubesse para onde ir... Permaneci em "slow motion", meditando no vazio, sobre o vazio.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Agir para errar!

Eu sei que vou errar, mais dia menos dia. Toda a gente erra, eventualmente! Estou a deixar que o medo de errar leve a melhor de mim e vivo nesta insegurança que não me deixa arriscar e errar! Há-de haver sempre alguma coisa que eu não sei mas, sinto sempre que já o devia saber! Revolta e atrofia-me... Eu sei que não pode ser! Hoje prometi a mim mesma que vou ser pró-activa, mais meiga e ter sempre um sorriso para dar, mesmo para aqueles que nem me olham! Isto de lidar com o público não é coisa fácil... E com cara de miúda, pior ainda. Diga-se de passagem que é impossível alguém sentir-se segura de "crocs" ou quando me chamam de "menina" ou "enfermeira" mas, assim será! Fogo eu andei 5 anos a caminhar e a queimar o neurónio na faculdade! Até sei algumas coisas! Não me posso deixar convencer que não! Eu não sou uma "médica da treta" como querem que eu seja!!! É assustador quando a minha palavra tem poder e me é exigido um parecer. Mesmo dando o parecer que me é possível, não é fácil ser credível e é irritante quando não o sou! Mas é para isso que estou a ser treinada, não posso nem quero fugir!
Resumindo: não vou deixar fugir as oportunidades de errar, vou aproveitá-las todas e apenas fugir do erro.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Volátil Ronronar...


Tudo na vida é passageiro, nós próprios somos passageiros de uma viagem cujo rumo desconhecemos. Sabemos onde estivemos, o que nos deixou saudades e nos faz querer voltar; de onde vimos e não recomendamos. No entanto, por mais vezes que alguém nos diga que não vale a pena ir a tal sítio, não adianta. Parece que aumenta a curiosidade e vamos mesmo até lá, ver por nós próprios. E ouvimos comentários como "a curiosidade matou o gato" mas é tarde... estamos mortos. Como esse tal felino, sentimos que temos 7 vidas e logo mais 6 para gastar. Adoramos ser felinos e descobrir o que há escondido atrás da proíbição. Somos esguios, elegantes, espertos e independentes, marcamos território, somos pardos na escuridão, subimos a telhados e rompemos o silêncio da noite, com guinchos de prazer na lua nova. Gostamos de caçar, não necessariamente para matar a fome, é puro prazer na adrenalina da predação. Quando caças, não é pra matar, preferes ferir e deixar fugir. Sentes-te o rei da selva porque poderias ter morto mas evitaste... Eu brinco com as minhas presas, posso trincar, posso ferir, raramente mato. Tal como tu, sou uma jogadora e não uma finalizadora. Ronronas bem alto para que todos oiçam como és feliz. O meu ron-ron é bem mais suave e discreto, apenas os previligiados ouvem. Esses e tu, quando me mordes o pescoço e sentes o pulsar das endorfinas no meu sangue. O teu ronronar é tão alto que mal se escuta o teu coração ou o teu respirar... bom mecanismo de defesa. Tenho de te contar, descobri que quanto maior é a queda de um de nós, gatos, maior as nossas hipoteses de sairmos ilesos, sem feridas para lamber. Boa notícia, não? Vamos, temos mais 6 vidas para viver, mais 6 quedas para dar, vamos saltar do alto, os dois! Vens?


quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Canção Simples

O sol aquece a minha pele mas tu aqueces-me por dentro,
fazes-me ver claro quando tudo está cinza,
fazes-me sorrir quando chove,
estás sempre pertinho, bem mais que o sol,
deixas-me olhar-te sem cegar,
Sei onde te procurar e não é atrás da Lua...

Ana Moura - O Fado da Procura

Para aqueles que se procuram e não se encontram...
"E talvez sem querer,
não querem lá ver,
sem te procurar,
te vejo a passar"

Muito bom! :D

Nouvelle Vague - IMPERDÍVEL


terça-feira, 30 de outubro de 2007

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A última...

"-Tens pastilhas?
-Sim, toma.
-Ah, é a última... Deixa estar!
-Podes tirar, a sério!
-Oh não, depois ficas sem nenhuma, esquece."

"-Tens pastilhas?
-Sim... Errrr, quer dizer, é a última... desculpa!"

O que é que se passa com as pessoas e a última pastilha ou o último cigarro ou a última coisa qualquer? Que relação possessiva é esta? Será que quem não quer dar a última pastilha, não se lembra que comeu o resto da embalagem toda? É assim um bem tão precioso que é díficil de ceder e, mais complicado ainda de aceitar, sem nos sentirmos mal com o facto de tomarmos a última coisa de outra pessoa? Porque há quem não aceite a última coisa de alguém! E é impressão minha ou nós guardamos as últimas coisas mais tempo? Criamos como que uma ligação intíma e indispensável, essa última coisa qualquer vai sempre servir para uma emergência, que não chega até comprarmos mais! Confessem lá que abrandam o ritmo dos cigarros quando chegam perto do último, ou o ritmo das pastilhas, dos rebuçados ou até do ritmo das chamadas quando recebem a msg a dizer que estão perto do último euro de saldo... Conheço pessoas que estoiram o saldo do tlm até chegarem ao último euro, que aguentam um mês se fôr preciso! Incrível! Quanto tempo dura esse último bem? Pode durar imenso tempo, preso ao pensamento "eh pah, é o/a último/a..." Tudo isto contraria a lei da utilidade marginal decrescente. Vejamos: se estamos com muita sede, valorizamos o 1º copo de água e não o último que já só nos vai fazer uma barriga de sapos! E esta lei é válida pra tudo... ou talvez não! Pois continuo a constatar e a não saber lidar bem com esta estranha ligação que estabelecemos com as últimas coisas. A conotação é por si só forte, é a/o "última/o" como se não houvesse mais! Quantas vezes é que a/o "última/o" é mesmo a/o "última/o"? Na verdade, muito poucas vezes. E se soubessemos que a/o última/o era mesmo a/o última/o? Mudaria alguma coisa?
Este não será, certamente um último post, por isso, enjoy :D

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

É possível um vet recém licenciado sobreviver? É possível, com o Kit Pfizer Saúde Animal!!!

Estive na faculdade, é estranho ir lá e sentir que já não fazemos parte da mobília. Ver outros jovens, nascidos em 89 a ocuparem a minha mesa do pequeno almoço no bar, a comerem o meu "donut" e a beberem o meu cimbalino! Ouvir a Rita a gritar "TOSTAAA" e "BITOOOQUE", que momento nostálgico! Foi óptimo rever os colegas, voltar ao Salão Nobre e ganhar brindes da palestra! Confesso que me sinto tentada a assaltar qualquer divisão da CGD com o meu novo gorro e cachecol - o kit "PFIZER SAÚDE ANIMAL"! Muito à frente esta grande e calorosa oferta dos nossos colegas daquela que é a maior e a melhor farmacêutica veterinária! (vou cobrar por isto!) Eles bem sabem como o mercado está mau para os novos vets. Como tal, oferecem-nos este kit que, à primeira vista, é apenas um gorro e um cachecol quentinho mas, para mentes mais rebuscadas como a minha, faz todo o sentido e creio mesmo que seja um kit de salvação para o novo e recém formado vet! Trata-se de um gorro escuro e enorme que se enterra pela cabeça e pescoço abaixo, de um tecido opaco mas totalmente respirável (pormenor importante), acompanhado de um cachecol igualmente opaco que completa e dá um toque de requinte, com a sua etiqueta publicitária, à camuflagem perfeita para um assalto a qualquer divisão bancária mais próxima! Brilhante!
"És novo, ambicioso e, por azar, veterinário?
Toma lá um Kit (gorro+cachecol+mochila para guardares o $$$$) e faz-te à vida! Assalta qualquer coisinha e depois aparece para comprares umas garrafinhas de Convenia e Cerenia!"
"É possível um vet recém licenciado sobreviver?
Sim, é possível com o Kit Pfizer Saúde Animal"
Ai, ai, ai... Meus senhores!

OBRIGADO!

Primeiro que tudo tenho de dizer a todos que estou bem!!!
Não, não me vou suicidar, nem asfixiar em ranhoca e muito menos afundar em lágrimas!

O último post foi escrito no fim de semana que, realmente, não correu muito bem e, pelos vistos, a minha veia poética e melodramática estava a bombar! Escrevi até esgotar e adormecer, aquilo era tudo birra do sono! :D Escrevi no fim de semana, como até gostei do resultado final, achei que estava profundo e bonito, passei para computador e porque não, pôr no blog? Podem acusar-me de carência, é verdade, (o chocolate não me tem saciado) e chamada de atenção, eu assumo! Mas não vos queria preocupar, Amigos! Hoje, que aproveitei a folga pra socializar um pouco, não foi nem uma, nem duas pessoas a perguntarem-me o que se passava comigo, porque tinham lido o meu blog e estavam preocupadas! Foi um desabafo, não vos queria preocupar, só talvez ralhar-vos um pouco por estarem muito ocupados a ver o jogo de Portugal em vez de irem tomar um cafézinho! :D Espero que agora este post não tenha o objectivo inverso e pensem "ah, falso alarme, ainda não é desta que ela se suicida!" " Oh pah, não é desta que ela se rega com gasolina e ateia fogo, ou se queima com ácido!" Muito longe disso, meus companheiros, amigos, palhaços desta vida que é um circo! Há dias bons e outros menos bons, eu tinha de deitar cá pra fora aqueles pensamentos malignos e exorcisar o Demo que me possuíu!
Um beijo muito barulhento xuuuaaaaaaacccccccccc e um abracinho de preguiça, bem apertado para vocês que sabem quem são!
OBRIGADO!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Caos

[A minha cabeça está um caos, por isso escrevo. Porque quando escrevemos ninguém nos ouve e nós falamos, deitamos cá para fora o que protegemos cá dentro. Ardem-me os olhos de tanto chorar mas, acredito que o que arde cura. Há dias assim, como o de hoje em que saí de casa porque estava a dar em doida com tanta recordação. Saí sem destino e parei em frente ao mar... Não queria estar sozinha mas também não queria testemunhas para as minhas lágrimas. Só nós já éramos uma multidão barulhenta. Procurei um sítio para estar só e aprender a ficar assim, sozinha comigo. Acabei perto daqueles que foram até ao mesmo sítio para também ficarem sós. A sós... S.O.S... curioso! Sinto-me perdida e acabei perdida em Lisboa, sem rumo, seguindo o carro da frente. Passei em locais familiares e descobri um roteiro "queloziano" que me tocou aqui e ali. Escrevo porque quando lemos, ouvimos uma voz dentro de nós a contar-nos o que lê. Uma voz que fala baixinho como quando queremos que nos oiçam com atenção. Será que é a minha voz que ouves ou já a esqueceste entre tantas outras? Tenho saudades... O ódio é uma forma de amar aqueles que já não podemos ter perto de nós e juro que, por vezes, não sei se te amo, se te odeio, se odeio amar-te ou se amo odiar-te! Sinto tanta coisa diferente que tento reprimir durante o dia, entregando-me ao trabalho sem me entregar. Não tenho memória para os meus dias, não fixo pacientes, nem patologias nem tratamentos. Limito-me a assentar tudo num caderninho que está por ordenar e passar a limpo. Sinto-me desintegrada e não estou a conseguir dar a volta. Mas os dias lá passam, uns mais depressa, outros mais devagar. O pior chega à noite, quando a intimidade e a saudade apertam e se protegem no escuro. Elas galgam terreno e quebram-me. Eu fecho os olhos e tento sonhar com o voar do tempo, acreditar que é real e que o dia está a chegar afastando a solidão e a memória. Eu choro... porque me lembro e não consegui esquecer. Dói, consome e mata... Cada vez sinto mais que morri para o amor. Foi algo que conheci e vivi do avesso. É um sítio proíbido que tal como os unicórnios, fadas e príncipes encantados, não existe, ou existe para aqueles que acreditam no resto do "era uma vez, há muito tempo atrás, num reino distante..." Refugio-me no instantâneo e desdramatizo. Chego a acreditar que é com as desvalorizações que cada vez nos valorizamos mais. Posso estar apenas a tentar auto-convencer-me, preciso disso. Tudo é volátil, o que um dia parece certo, no outro é um erro e começo a ter um erro favorito. Já alguém escreveu sobre isso, há uma musica, penso eu, "my favourite mistake". E eu tenho um erro recorrente. Sinto-me a errar ou prestes a errar... Ou será que já errei? Quem decide o que é o erro? Sinto-me a errar conscientemente, para qualquer lado que me vire. Talvez seja daqueles erros dos quais estamos tão certos que passam a ser verdade, ou então não... As respostas não aparecem. A minha voz interior não responde, só pergunta e complica. Não sei quem ouvir, quando eu própria me sinto em silêncio. Quem fala são as teclas, como num piano mágico que toca sozinho. Sinto saudades de um passado que não posso esquecer, parte de mim que me faz hoje aquilo que não quero ser. Passei a semana doente, será só um devaneio febril? Quem me defende dos meus próprios ataques? Quem me defende da noite? Tenho saudades da forma e do teu gesto de quando me ajeitavas o cabelo e a gola sempre que eu vestia um casaco. Dizes-me para crescer...erro ao pensar que seria para sempre aquela míuda tola... Quem sabe? Todo o meu percurso tem erros, eu errei primeiro e mais vezes, acredita... Não quero pensar que foste um erro ou que eu fui um erro para ti mas se assim fosse, "you're my favourite mistake"...]